Histórico

Corria o ano de 1987 quando os irmãos Figurótico e Pança (apelidos que ganharam de seu professor de violão) tocaram – se é que se pode empregar o verbo nesse caso – pela primeira vez no aniversário do Figurótico de 12 anos, os dois na guitarra e o aniversariante na voz. Ali começou a ser desenhada a banda. Tocaram Ultraje, Ira!, Lobão, Plebe Rude, Camisa de Vênus, bandas que estouravam com o Brock e que contaminaram ambos que estudavam violão há dois anos. Pança ainda não tocava baixo, só o fez por indicação do professor Luiz Paulo(Gordo) mais tarde. Além de bom músico e responsável pela formação dos garotos, um cara de visão, pois Pança tinha dedos e mãos pequenas – até hoje – mas o fato é que estava certo.

Os irmãos montaram a primeira banda com o primo baterista, Élcio Pineschi, Cheque Mate(com um X por cima do CH e cheio de Iron Maiden na cabeça) e tocavam nos fins de semana em que Elcinho saía do Rio para visitar a família em Barra Mansa. Mas a primeira apresentação em um palco só viria em 1990, no dia do estudante no Colégio Verbo Divino, já com uma banda de amigos – e com o nome roubado da primeira banda, pois a distância afastara Élcio da banda consangüínea. Prosseguiram algum tempo com a banda até se tornarem músicos de verdade e esse foi o período em que cada um foi para um lado.

Pança foi ficando cada vez mais requisitado por músicos da região e Figurótico além de tocar com músicos mais velhos, como Gordo e Macial em trabalhos que lhe deram grande experiência, entrou para a banda Madeira de Lei como guitarrista, a função de cantar havia ficado (há muito tempo) para trás. Toni, que o convidou, seria um parceiro de anos. Gravaram músicas que seriam lançadas num disco, que nunca saiu. Fizeram muitos shows e participaram do FestValda em 92 no extinto Imperator. Durou muito tempo e Figurótico como participava das composições – na parte instrumental ativamente, mas nas letras timidamente – passou a tomar gosto pela criação. Em 1995 a banda já não respirava bem. A fase pagode, sertanejo, axé, havia tirado o rock de cena e decretou-se o fim. Mas o convívio, rotina de ensaios e gravações marcou um período feliz na carreira do guitarrista.

Para não ficarem parados, Figurótico e o vocalista do Madeira de Lei resolveram fazer o circuito da noite tocando violão. Toni Madeira e Figurótico tocaram de 1996 a 2000 e seus nomes tornaram-se muitos conhecidos pela região sul do estado do Rio. Ganharam algum dinheiro e por volta de 98 resolveram colocar músicos na banda para voltarem a ter um ambiente de grupo.

Pança depois de anos voltava a tocar em um mesmo trabalho com o irmão. Também chegou a fazer parte (por muito pouco tempo) do Madeira de Lei nos últimos shows, devido à saída do baixista e letrista Gedson Palheiros. Para a bateria pegaram um cara que já vinha aparecendo e tocando com os amigos.

Erick, o terceiro elemento. Quando os amigos já tocavam no colégio resolveu aprender. Literalmente de uma hora para outra já destruía o instrumento. Influenciado por Neil Peart, começou a fazer parte do meio. Tocou junto com os dois irmãos pela primeira vez em 95, num show de vários músicos. Fez somente uma participação neste e, por coincidência do destino, tocou The Police (que até hoje aparece com freqüência no repertório do trio). Após entrou na banda que acompanhava a dupla. Mas foi preciso virar o século para que os três largassem seus trabalhos com outros grupos e enxergassem que chegara a hora de tocarem juntos, no formato de power trio, suas próprias músicas. Voltaram a um bar de um amigo para as primeiras apresentações. O intuito ali era claro: ver como se sairia Figurótico tendo que assumir o vocal (de 96 a 2000 só fizer segunda voz). O resultado não importou muito, estava decidido que começaria ali a banda Figurótico, sendo o apelido agora uma representação dos três “esbornes”.